sábado, 3 de dezembro de 2011


O espião que queimava dinheiro

Ele nada tinha de James Bond,era franzino, magro e encurvado, mas foi o espião que rende mais de US$ 1 bilhão aos americanos em pesquisa científica.


Milt Bearden é o diretor da CIA, autor de O GRANDE INIMIGO
entre a CIA e a KGB, contava com piada aos amigos da agencia que Adolf Tolkachev pagava todas as contas da embaixada de Mosco. Aquele homem quieto e cauteloso nascido em 1927 no Cazaquistão era um caso raro, segundo Bearden. Foi Tolkachev quem procurou os americanos em 1977 e insistiu em espionar, numa época em que não acreditava mais na existência de voluntários, mas, sim, de agentes duplos. Conquistou a confiança e entregou farta documentação do escritório de projetos Aeronáuticos da URSS.
Entre 1979 e 1985, tempo suficiente para ganhar dois codinomes, Sphere e Vanquish, o cientista se encontrou com agentes americanos em operação arriscada, mas que decididamente valiam o risco das emboscadas da KGB. Tolkachev recebia cerca de US$ 100 mil convertidos em rublos nesses encontros, mas estranhamente a CIA não intendia como o espião gastava o dinheiro.

Secredo da vida pacata

Seu trabalho de espião era um segredo só seu. Nunca compartilhou com qualquer pessoa, nem mesmo com a esposa, Nathalia, e o filho, Oleg. Viviam uma vida de relativo conforto no numero 1 da rua Ploshchad Vosstaniya. O prédio de apartamentos era semelhante a um bolo de noiva, destinado á bem tratada elite soviética que habitava o Anel Jardim de Mosco.

Motivação

Tolkachev escondia um ódio profundo pelo sistema soviético, que nutria pelo modo que os russos haviam tratado a familía de sua esposa, Nathalia. A mãe de sua mulher havia sido executada pelo regime stalinista em 1938 e o pai dela ficou muito tempo num campo de trabalhos forçados, morrendo logo depois que conseguiu liberdade, em 1955.

Primeira entrega

Seu primeiro contato visual com um agente da CIA John Guilser foi no parque Gorky. E entregou extensas notas manuscritas sobre avançados sistema de radar chamados "faça fogo ao ver".

O que ele entregou?

A produção de Tolkachev era farta e periódica. Num só encontro, por exemplo, entregou 174rolos de filme com 36 fotos cada. Entre os segredos que entregou aos americanos estavam projetos de eletrônica aeronáuticas, radar, mísseis e sistemas de armamentos dos caças Mig-23, Mig-25, Su-27 e o avançado Mig-29, a última cartada tecnológica dos russos no final da Guerra Fria.




Mig-23











Mig-25











Su-27











Mig-29







Queimando dinheiro

Tolkachev fazia questão de receber dinheiro, pois achava que só assim os americanos valorizavam seu trabalho. Mas ironicamente queimava em sua lareira milhares de dólares e rublos para não levar suspeitas de enriquecimento. O máximo que fez foi comprar um carro pela primeira vez na vida, um simples Zhiguli, um Fiat fabricado na URSS.

Sua morte

Mais um ano após sua prisão em Lefortovo, a agência oficial de comunicação soviética Tass
divulgou um comunicado sobre sua execução em 22 de outubro de 1986. Morria Adolf Tolkachev, o mais reatável espião dos americanos, um homem convicto de seu ódio ao sistema.

Obs:CIA é a sigla de Central Intelligence Agency (Agência Central de Inteligência), a agência de espionagem do governo dos Estados Unidos. KGB eram as iniciais, em russo, do Comitê de Segurança do Estado, a antiga agência de espionagem da União Soviética. Além dos serviços de espionagem, a KGB também fazia o papel de polícia política, ou seja, reprimia qualquer tentativa de oposição ao governo soviético (o mesmo papel que a Gestapo, a polícia política de Hitler fazia na Alemanha nazista). O currículo da CIA também é cheio de "trabalho sujo": a CIA participou de golpes de Estado em vários países da América Latina, com aconteceu na Guatemala, em 1954.

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